Quem percorre o interior de Venâncio Aires em busca das raízes da cultura gaúcha já encontra na comunidade de Linha Travessa um dos roteiros mais curiosos e autênticos do Vale do Rio Pardo. Agora, a experiência promete ganhar um novo capítulo: a tradicional Escola do Chimarrão deverá ganhar uma sede inédita — projetada no formato de uma cuia — ampliando sua estrutura e reforçando o potencial turístico da Capital Nacional do Chimarrão.
A novidade começou a tomar forma com o anúncio da destinação de uma emenda parlamentar de R$ 500 mil pelo deputado federal Giovani Cherini. O recurso será o ponto de partida para a construção do novo espaço, um projeto aguardado há décadas pela comunidade e pelos idealizadores da escola.
Autor da lei que reconhece Venâncio Aires como Capital Nacional do Chimarrão, Cherini assumiu o compromisso de apoiar a obra até sua conclusão. A estimativa é de que o investimento total alcance cerca de R$ 1,5 milhão, valor que deverá ser viabilizado gradualmente por meio de novas emendas parlamentares.
O projeto original da nova sede remonta a 1999, quando o engenheiro Danilo Metzdorf e o arquiteto Gustavo Bühlow desenvolveram a proposta a pedido da idealizadora da escola, Rejane Rüdiger Pastore. O sonho era criar um espaço que representasse visualmente o principal símbolo da cultura gaúcha: a cuia de chimarrão.
Atualizado recentemente pelo arquiteto Giovani Büllow, o projeto ganhou novas dimensões e adequações estruturais. A futura sede terá mais de 500 metros quadrados e incluirá auditório para 159 pessoas, bar, loja temática, sanitários — inclusive adaptados para pessoas com deficiência —, depósito e um mirante com vista panorâmica da cidade. A arquitetura, inspirada na forma da cuia, pretende transformar o prédio em um atrativo turístico por si só.
Fundada em 1998, a Escola do Chimarrão de Linha Travessa tornou-se um ponto de parada obrigatório para visitantes interessados em mergulhar na tradição do mate. O espaço ensina a história da bebida e apresenta diferentes formas de preparar o chimarrão — são até 36 modelos de montagem da cuia, que vão dos estilos clássicos às versões decorativas.
Ao longo de mais de duas décadas, a escola já recebeu visitantes de diversas regiões do Brasil e de mais de 15 países, interessados em conhecer de perto um dos rituais mais emblemáticos do sul do país. Além das demonstrações, o local também oferece produtos derivados da erva-mate, como bolos, chás e licores, além de uma loja de lembranças ligadas à cultura do chimarrão. Com a futura sede, a expectativa é ampliar a experiência oferecida aos visitantes e fortalecer ainda mais o turismo regional.

